Sonhos de «marfundo»

Há sonhos que dão que pensar! Deixa que te conte um que me assaltou como um furacão, em plena luz do meio-dia. Era um campo azul claro, grande, tão grande que nem os olhos o terminavam de ver. Não havia fronteiras, nem terra à vista. Sobre o azul havia umas pintas douradas, não sei se eram estrelas (do céu? do mar?) ou se eram simplesmente búzios, daqueles que quando a gente os encosta ao ouvido e fica em silêncio, repetem em eco murmúrios profundos de amores eternos… Fiquei pasmada! Que infinito! Que visão! De repente, esses pontos dourados começaram a cintilar, ganharam movimento e transformaram-se numa multidão de jovens, correndo por todos os lados, repartindo alegria, entoando canções, dançando coreografias em que cada um levantava no ar a sua bilha de barro à procura da nascente daquele mar tão profundo! Foi uma festa que ameaçava não ter fim. Ainda agora pergunto: quem são aqueles jovens e que buscam tão ansiosamente? Continuarão à procura da Nascente, ou já terão as bilhas rotas de tanto baloiçar? E tomei uma decisão: não basta o «campeonato de surf» em que «as 9 ondas» serão cavalgadas com entusiasmo, é preciso fazer também uma «viagem cruzeiro». Está quase tudo imaginado: «Cartas de Navegação» (para o auto-conhecimento), «Remar» (pelos caminhos da Bíblia), «Ecos do Mar» (Mensagens & Notícias do oceano), etc.
Haverá lugar para os jovens que quiserem encher a bilha de água pura e fresca, para os que não se contentarem com águas salobras e estagnadas. Escreve para maralto07@gmail.com

O amor é...

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S. Paulo fala-nos do Amor desta forma extraordinária.
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Partilho este pequeno video, porque me parece que pode inspirar-nos neste início de actividades cujos âmbitos são tão diversificados, que ao desenvolvê-las ao longo do ano, precisaremos ir recordando estas palavrinhas inspiradas, de S. Paulo, ao escrever aos Coríntios.
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(encontramo-nos na próxima onda)

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Hora de zarpar

É claro! Isso de continuar na vida ancorados a certezas murchas, a seguranças que morreram antes de nascer, não tem futuro nenhum. Para muitos acabou o tempo de férias e já se ouve tocar a campainha das salas de aulas, ou chegou o momento de “marcar o ponto” para a entrada no trabalho. É também a hora de perguntar ao Farol como se chega a Alto Mar. A escola de discernimento vocacional Maralto – já soltou amarras: neste mês de Setembro apresenta uma proposta de «campeonato de surf» com sabor a maresia – 9 ONDAS – para os jovens que queiram reflectir, pensar, sonhar, formar, discernir, partilhar… sobre a própria vida e os ideais. É um itinerário de 9 meses que terminam em Julho 2009 com a «Festa do Encontro». Se quiseres mais informações escreve a maralto07@gmail.com. Não chegues atrasado para esta viagem. O capitão ao leme é «Aquele a quem os ventos e os mares obedecem».

Sobre as águas

Contemplo o Mar
que se alvorota em mim
Contemplo a Luz
que traz uma paz sem fim
Contemplo a Noite
que é fria e agressiva
Contemplo a Aurora
que me faz agradecida

Contemplo a Palavra
que é silêncio do Senhor
Contemplo a Vida
que entrego por amor!




O mergulho da fé

Paulo era um sábio das Escrituras e um fiel defensor da fé do Antigo Testamento, mas no caminho de Damasco, quando a voz de Cristo Ressuscitado lhe falou, percebeu que os seus olhos estavam cobertos de escamas, estavam cegos para a verdadeira vocação a que Deus o chamava. Ele conhecia a história de Jesus, sabia o que Ele tinha dito e feito, conhecia os seus discípulos e gente que tinha acolhido a sua mensagem, mas vivia montado no seu saber, fiado das suas próprias forças, convencido da sua sabedoria humana, impenetrável à luz da verdade.
Depois de ter ouvido a voz de Jesus, foi para Damasco, onde foi acolhido e baptizado por Ananias; recuperou as forças e discerniu a sua vocação. Foi ali que ele deu o mergulho da fé: acreditou, aderiu no fundo do coração a Cristo, virou a sua vida do avesso começando a anunciar a sua pessoa e a sua doutrina por todo o lado. Proclamava com toda a energia que «Jesus é o Senhor», e propunha com tanto entusiasmo o que antes combatia, que era difícil acreditar nele, e começaram logo a persegui-lo. Mas não houve forma de o calar. «Ai de mim, se não anunciar Jesus Cristo!», dizia.
O caminho de Damasco é para os cristãos o símbolo do encontro com Deus, com Jesus ressuscitado. O encontro leva à descoberta da vocação e da missão; esta descoberta provoca à conversão (mudar de direcção); a conversão é o mergulho da fé que permite dizer: «pela graça de Deus, sou o que sou, e a graça que me foi dada, não foi estéril» (1Cor 15,10).

O jovem mergulhador


Pier Giorgio Frassati, (Pedro Jorge) foi proposto aos jovens na Jornada Mundial da Juventude que estamos a celebrar, como um modelo a imitar. Nasceu em 1901 em Itália, e morreu em 4 de Julho de 1925, com 24 anos. Foi um grande desportista, que viveu na caridade e na generosidade. O seu corpo está incorrupto; foi beatificado por João Paulo II em 1990, considerando que caminhou velozmente, com alegria e coragem, no serviço aos outros e na santidade. Morreu ao ter contraído poliomielite por contágio de um doente a quem assistia.
Um jovem moderno, de olhos penetrantes, atraente, simpático, com um sorriso contagioso. Conduzido por uma energia alegre, cheio de Deus e de compaixão pelas pessoas mais pobres e necessitadas; escalava montanhas, trotava a cavalo, brincava nas piscinas… sempre testemunhando os valores da fé, fazendo como Jesus e indicando os seus caminhos. É um estímulo para os jovens que buscam uma felicidade com raízes profundas e eternas.
Filho de família rica de Turim, com pai agnóstico e mãe católica, Pier Giorgio sofria com as relações difíceis entre os seus pais, mas encontrava dentro de si o dom do Espírito Santo que o fazia avançar.
O dinheiro recebido em prémio pela licenciatura deu-o aos pobres. Quando os amigos lhe perguntavam por que viajava em 3ª classe no comboio, respondia com um sorriso: «porque não há 4ª classe».
Durante a sua breve vida, mergulhou tão profundamente no coração de Deus, que exercia sobre quem se cruzava com ele uma atracção irresistível. No seu funeral participaram as pessoas mais importantes de Turim, mas quando saíram da igreja, viram as ruas cheias não de pessoas da elite, mas dos pobres e dos necessitados a quem ele tinha servido. Os pobres ficaram surpreendidos ao ver que era de uma família rica.
Hoje, este mergulhador do «alto mar» da santidade fala aos jovens do nosso tempo, da beleza de ser todo de Deus e todo para os outros.
Imaginas como se pode ser assim?

Na crista da Onda

S. Paulo descobriu a sua vocação e missão a ser apóstolo de Jesus Cristo, construtor e animador de comunidades cristãs, a caminho de Damasco. Nas muitas cartas que escreveu, e que hoje lemos como Palavra de Deus, não se refere directamente a tão importante acontecimento, certamente porque este tinha sido suficientemente divulgado por S. Lucas, seu discípulo fiel, no livro dos Actos dos Apóstolos.
Este grande doutor da Lei e teólogo do seu tempo, ao ser enviado a evangelizar os «pagãos», os não israelitas, viu-se envolvido por ambientes culturais, filosóficos e religiosos diferentes. No meio de leis, exigências, mandamentos, expressões de fé diferentes, Paulo entendeu perfeitamente o essencial da opção cristã: ia a caminho de Damasco, com poderes para perseguir e mandar matar os cristãos quando, subitamente uma luz o envolveu e o prostrou por terra, a ele que, como bom surfista, sempre tinha corrido na crista da onda. Uma voz o interrogou: «Saulo, porque me persegues?» Ele perguntou: «Quem és tu, Senhor?» A voz respondeu: «Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Ergue-te, entra na cidade e dir-te-ão o que deves fazer» (Act 9,4-6). Os seus companheiros de viagem também ouviram a voz, mas não entenderam a mensagem do Ressuscitado. Paulo mudou de onda. Fez o «caminho de Damasco».
Eu e tu também podemos fazer o mesmo caminho. E juntos podemos perceber melhor por onde caminhar. Se queres fazer a experiência de caminhos juntos avisa para maralto07@gmail.com

Uma torrente de emoções

Os jovens que o digam! São aos grupos nas Casas Hospitaleiras a encontrarem-se com uma realidade nova e diferente, a das pessoas com deficiência ou com doença mental. Os Campos de Férias, os Fins de Semana Hospitaleiros, os Dias Hospitaleiros e outras visitas às Casas de Saúde têm sido uma oportunidade que os jovens aproveitam e que produzem uma torrente de emoções que nunca mais se esquecem.
Olhem só para as expressões de alegria e gratificação de um grupo que esteve estes dias na Clínica Psiquiátrica de S. José. A descoberta da diferença, a experiência de acolher com simpatia e respeito as pessoas doentes, os pequenos gestos de serviço, a amizade que se cria no grupo, os momentos de formação e reflexão… por tudo isto e mais, vale a pena!
Tu que me lês, se conheceres algum jovem interessado, convida-o a inscrever-se em algum dos Campos de Férias seguintes:

Julho: 15-23 - Madeira; 17-25 - Barcelos.
Agosto: 4-12 - Idanha; 4 - 14 - Condeixa; 6-13 - Madeira; 15-23 - Braga.
Hospitalidad Põe t’andar (Pelas Casas Hospitaleiras) 25-31 de Agosto.
Inscreve-te para: sede@juventudehospitaleira.org

Um farol luminoso


Ao inaugurar o «ano Paulino» convém perguntar: quem foi este homem que devia ser de baixa estatura física, sem grandes qualidades oratórias, que esteve várias vezes na prisão e em perigo de morte, foi cinco vezes chicoteado com as 39 chicotadas, 3 vezes foi açoitado, 1 vez apedrejado, sofreu 3 naufrágios, padeceu fome e sede, frio e nudez, foi caluniado, perseguido e, por último, morto à espada? Paulo vem de uma cultura minoritária, a judaica, cujas crenças e estilo de vida eram ridicularizados e combatidos por uns e recolhiam simpatia de outros. Este apóstolo e pregador itinerante tinha familiaridade com a cultura greco-romana, falava aramaico e grego. Alguém o definiu como «homem de três culturas», pela sua origem judaica, língua grega e identidade de cidadão romano. Mas o mais importante é que foi uma testemunha irradiante de Jesus Cristo. Após a descoberta da sua vocação no caminho de Damasco, Paulo transformou-se num farol luminoso para a Igreja cristã. Ao longo deste ano, os cristãos somos desafiados a caminhar com S. Paulo para aprender dele quem é Cristo e qual o caminho que nos conduz a Ele.
Se quiseres, no lugar dos comentários, faz alguma pergunta sobre S. Paulo e a sua mensagem.

sem ver o mar?

Sou um cego - Paulo de Tarso





Gostei muito desta letra e desta música, agradeço a quem a quis lançar a maralto, para disposição de todos os navegantes.

A ti que vens ver o mar, convido-te a enviar um comentário a este post, e a partilhar connosco qual é a frase de que mais gostas, neste pequeno vídeo.
Aceitas o desafio Paulino?

Para mim, é a pergunta de Paulo: "sozinho, onde irei?"
Não percas tempo, envia o teu comentário!

(encontramo-nos na próxima onda)

Maremoto


A propósito do XPTO dissemos em Maralto que amanhã, 29 de Junho, começa o «Ano Paulino». Paulo (em grego) ou Saúl (em hebraico) foi tão importante na vida da Igreja nascente que para falar dele nem era preciso dizer o seu nome, bastava dizer «o apóstolo». Juntou à sua «dupla nacionalidade» a «dupla identidade». Nascido judeu nos primeiros anos da era cristã em Tarso, tornou-se um homem culto no grego, na retórica, no conhecimento da Lei e no trabalho com as próprias mãos. Fez-se cidadão romano, nacionalidade que lhe permitiu na última etapa da sua vida apelar para ser julgado em tribunal por César, por causa da sua acção evangelizadora.
Para conhecer S. Paulo é preciso contemplar o grande «maremoto» que aconteceu na sua vida e que o fez passar de perseguidor dos cristãos ao maior arauto da Palavra e da Pessoa de Jesus Cristo.
No livro da Bíblia, Actos dos Apóstolos, capítulo 22, versículos 3 a 21, Paulo narra o acontecimento da descoberta da sua vocação e missão, conta o que lhe aconteceu e como foi transformado em apóstolo do Evangelho. Uma coisa é certa: a consciência de ser amado por Deus e de ser chamado para o serviço do Evangelho gerou nela uma energia vital que o fez dizer: «Ai de mim, se não evangelizar!» Não deixes de ler esta semana, o referido texto dos Actos os Apóstolos.

Travessia do mar


21 de Junho de 1880.
Pouco depois da meia noite, duas sombras apressadas carregadas de esperanças e incertezas, ideais e medos, pisam silenciosas as ruas de Granada, para não serem reconhecidas por ninguém. São elas Maria Josefa Récio e Angústias Giménez.
Fugitivas da oposição das suas famílias, tomam o comboio para Ciempozuelos (Madrid). À medida que o trem caminha trauteando a música do forno de carvão, tudo fica para trás: infância, juventude… família, afectos, recordações… tudo. Para a frente, o misterioso eco do «vem e segue-me» de Jesus Cristo envolvido no horizonte surpreendente da confiança e do abandono.
As jovens granadinas agarram com força os remos da fidelidade e transformam as gotas de água prateada que brilham nos seus olhos em piropos de amor para o Mestre dos mares, Jesus de Nazaré. Marés ou tempestades, bonança ou maremotos, nunca as fizeram olhar para trás.
Na estação de chegada, espera-as Bento Menni. Juntos darão vida a um projecto de Hospitalidade que ainda hoje, em 21 de Junho de 2008, continua fresco e vigoroso a cuidar, curar e sanar especialmente as pessoas com doença mental.
Elas são as Fundadoras, com S. Bento Menni, da congregação das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus.

Um mar de jovens

24 XPTO – é o título do programa que pretende reunir um mar de jovens da diocese de Lisboa, no fim de semana de 28 e 29 de Junho. 24 horas com Cristo a preparar o coração para iniciar o «Ano Paulino» e participar na ordenação sacerdotal de alguns jovens da nossa diocese. A vigília começa no dia 28 na Sé, com o Sr. Cardeal Patriarca, e termina no dia 29 com a celebração das ordenações, às 16.00h nos Jerónimos. Na manhã do dia 29, o programa faz-se «Pelas ruas de Lisboa – viagens missionárias». É a imaginação do percurso de vida do Apóstolo Paulo. Entre essas viagens, existe a «viagem do cativeiro».
Estás mesmo a adivinhar, não? Trata-se de ir a pessoas e lugares onde o sofrimento, a dor, a marginalização continua hoje a constranger a pessoa. O encontro será surpreendente e enriquecedor. Quem se aponta?

Podes ver www.24xpto.net