Mar sem ondas

É giro ver as ondas a bater, teimosas, nas rochas cansadas mas firmes e inabaláveis na sua missão de guardiães do mar! Que sensação de calma, silêncio, bondade, coração! Que dirão as espumas brancas ao negro das pedras que, por mais banhos que levem, nunca ficam brancas? Que dirão as rochas à água salgada que, por mais beijos que receba, nunca se torna doce? É lindo o mar a rebentar na praia, mas é ainda mais belo, grande e misterioso o mar alto, um mar sem ondas, onde o horizonte é mar e céu ao mesmo tempo.
Duas horas de avião sobre o atlântico, ora montada num manto de seda azul molhada, ora cavalgando nuvens brancas de algodão em rama, são uma miragem que não se termina de apreciar. Quase sem querer, dilatam-se os horizontes da alma deixando entrar nela a multidão dos que gemem sozinhos; acendem-se todos os faróis e alegram-se os que navegavam às escuras; abrem-se as asas em acrobacia veloz até paragens novas onde os que buscam sentem um ombro amigo na procura…
Enquanto viajo entre mar e céu, aposto na esperança de um mundo novo que é possível para a humanidade; pinto um arco íris de paz que abraça os povos de todas as cores, culturas e credos; escrevo um poema que balbucio ao Sol e declamo gratuitamente a quem entender de AMOR.

Viva a vida!

Querida Gota de Água:

Juntamente com cada um dos leitores deste blog, te desejo as maiores Felicidades.

Louvamos a Deus por tanta vida, partilhada, entregue, colocada ao dispôr de cada irmão, para quem sempre tens tempo de atender.

Pedimos-Lhe que te conserve sempre feliz e fiel na tua vida de Consagração no MAR da Hospitalidade.


(encontramo-nos na próxima onda)


Maremoto

Vocês haviam de ver! Nesta Casa da Idanha há uma grande revolução! Há muito que este oceano de bem-fazer esperava uma casa nova. É que esta tem mais de cem anos! Bendito seja o dono do céu e do mar, das nuvens e das águas, do azul e do verde transparente das ondas! E que bonita! Quantos esforços e sacrifícios para chegar até aqui!
Estes dias, porém, parece ter acontecido nesta «cidade da saúde» um maremoto. As mudanças são uma bênção e um sofrimento. Os barcos andam constantemente em travessia. Os barqueiros não têm mãos a medir. Os passantes cantam, riem, estão felizes… e alguns, oh Deus! deixam-se apanhar pela ansiedade do novo e diferente. Mas a festa do mar é para valer. Os habitantes deste mar, aqueles a quem a praia e a cidade desconhecem ou até recusam, vão poder agora ter um espaço mais digno, um serviço mais personalizado, uma atenção humana e técnica facilitada. Feliz maremoto! Bem aventurada tempestade! Parabéns a quem acredita no Amor que faz nascer as grandes obras.